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EDIÇÃO #245 • 29/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Boa tarde, Dropper!
Na coluna ‘Ferrou’ de hoje: a Anthropic continua alertando sobre os perigos da IA e fala até em “riscos existenciais à humanidade” em documento oficial do IPO. Mas por enquanto, sem pé no freio!
No AiDrops de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:
• OpenAI vs Anthropic: frear ou acelerar?
• Nvidia: o fiscal dos agentes
• Finance: a corrida bancária dos agentes
• IA por aí: Manus, Meta, Perplexity e mais…

MODELOS
Frear para não bater, acelerar para não ficar
TL;DR: A OpenAI pausou novos modelos após sustos com seus agentes, enquanto a Anthropic lançou o Claude Sonnet 5.5.

Se você ainda não se perdeu em meio a tantos lançamentos e tantos nomes ruins de novos modelos, você está mesmo prestando atenção?
Na terça-feira passada, anunciamos que tanto a OpenAI quanto a Anthropic estavam lançando novos modelos.
Nesta terça-feira, viemos te contar que a OpenAI cancelou o lançamento de um novo modelo, enquanto a Anthropic lançou mais um.
"(🎵 P… 🎵) Pisa no freio, Sam!"
A desaceleração da OpenAI vem depois de uma sequência de sustos: agentes da empresa que pesquisavam sites do governo americano foram além do pedido, acharam chaves de API do Departamento de Educação e republicaram dados da SEC. Mas a parada vai além:
Sites: agentes invadiram a Hugging Face atrás das respostas de um teste e usaram uma wiki alemã para trocar dicas de como burlar restrições.
Governos: mais de 16 mil acessos a um portal da ONU, invasão a um portal de saúde australiano…
Dados: republicação não autorizada de dados da SEC e 53 imagens de usuários do ChatGPT publicadas na internet.
É a segunda pausa em três meses (a primeira foi em julho, após o ataque à Hugging Face), e o treino só volta com novas salvaguardas.
E Dario só tem acelerador
Já a Anthropic lançou o Claude Sonnet 5.5 na semana do DevDay da OpenAI. Ele é 30% mais rápido, custa o mesmo que o antecessor e, em alguns testes, empata com o Opus 5.5 pela metade do preço. Por ser bom em cibersegurança, é o primeiro Sonnet com travas extras.
Performance: 70,6% no Terminal-Bench 4.0, contra 10,3% do Sonnet 5, e o primeiro Sonnet a zerar Pokémon Red só com prints de tela.
Colaboração: escreve com mais clareza e, segundo os primeiros testadores, é um parceiro de trabalho melhor que o Sonnet 5.
Custo: mesmo preço do Sonnet 5 (US$ 2/milhão de tokens de entrada e US$ 10 de saída), mas até 30% mais barato por tarefa.
Segurança: o primeiro Sonnet com travas de cibersegurança, já que tem capacidades nesse campo comparáveis às do Opus 5.
O humor do mercado com os dois líderes da IA vive oscilando, mas os lançamentos do Claude neste mês foram vitórias claras - ainda mais sabendo que o próximo grande GPT deve ter que esperar um pouco.
Com o DevDay da OpenAI começando hoje, depois de semanas de expectativa, a régua já estava alta, e a Anthropic parece ter subido ela mais um pouco.

IA POR AÍ
→ Anthropic perdeu a apelação na Justiça americana e vai continuar na lista de exclusões do Pentágono.
→ Microsoft juntou todas as funções corporativas de IA no mesmo super-app com a nova versão do Copilot.
→ Perplexity é a mais nova vítima dos agentes com vontade própria.
→ Manus lançou o Manus 2.0 e o Cue, um app de agentes pessoais em que cada agente tem seu próprio e-mail, número de telefone, carteira digital e computador.
→ World Labs, o lab de modelos de mundo de Fei-Fei Li, foi comprado pela AMD por US$ 8,2 bilhões.
→ Meta vai liberar novos agentes do Muse também para pequenos negócios, mirando expansão no B2B.

SEGURANÇA
Nvidia: quer ser o fiscal dos agentes
TL;DR: A Nvidia lançou o Open Agent Safety Platform, uma cerca de software e hardware por fora dos agentes de IA.

Numa semana, a Anthropic implorou para o mundo regular um mercado que ela ajudou a criar, na outra a OpenAI admitiu ter encontrado 16 mil incidentes com agentes rebeldes. Agora, a Nvidia coloca o uniforme antichamas e aparece para apagar o fogo e colocar ordem no pedaço com o Open Agent Safety Platform.
A ideia é colocar uma cerca do lado de fora dos agentes, com regras que limitam o que eles podem acessar e executar, aplicadas por software e hardware independentes. Assim, se o agente sair do script, a trava funciona sem depender da boa vontade do próprio modelo.
O projeto já nasce com +100 organizações apoiando e usando o protocolo, como Microsoft, CrowdStrike, Cisco, Palo Alto Networks, Palantir e ServiceNow, tendo dois pilares:
OpenShell, a camada de software open-source que define o que o agente pode ver, fazer e com quem pode interagir. Funciona com agentes existentes, como Claude Code, Codex e Hermes.
Sentry é um "cão de guarda" independente que roda nos chips BlueField-4 e, se o agente tentar furar o perímetro, isola e trava a operação em milissegundos.
A premissa é simples: não conte com o agente para respeitar as regras. Ele escreve e executa o próprio código e, quando um caminho é bloqueado, procura outro. Por isso, a segurança não pode morar só dentro do agente. Precisa ser construída em volta dele.
E se esse é um problema de engenharia, o CEO da Nvidia diz que ele deveria ser resolvido por engenheiros (aka, “não pelo governo”).

TRENDING
É namoro ou amizade inspiração ou roubo?
Para a Casa Branca, destilação (treinar um modelo com as respostas de outro) é roubo. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, até ameaçou sancionar empresas estrangeiras que usam a técnica para extrair capacidades de modelos americanos.
A Anthropic inclusive dá nome aos bois, citando Alibaba e DeepSeek como as "destiladoras", dizendo que isso é um roubo de propriedade intelectual grave. Será que elas têm 100 anos de perdão?
Até agora esse era o resumo: americanas acusam, chinesas dizem "nada a ver". Só que até Jensen Huang decidiu se manifestar contra rotular os labs chineses como criminosos. Para o CEO da Nvidia, é só concorrência. "Você pode testar o produto dos outros o quanto quiser".
Ele admite que preferiria que ninguém aprendesse com a Nvidia, mas diz que a concorrência melhora tudo. Para quem não gosta, a receita é simples: “conheça seu cliente e corte o acesso”.
O detalhe: quem vende as pás tem todo interesse em que a corrida do ouro continue aberta para o maior número possível de garimpeiros, inclusive os chineses.

FINANCE
A corrida bancária dos agentes
TL;DR: O que acontecerá no dia em que milhões de agentes tentarem encontrar fontes de rendimento ao mesmo tempo?

img via MarketWatch
Enquanto os agentes de IA só tinham acesso a mensagens, fotos e alguns documentos, o máximo de estrago que poderiam causar era reputacional. Mas com acesso a cartões, apps de banco e contas de investimento, o estrago pode ser MUITO maior.
O aviso de perigo vem de ninguém menos que Torsten Slok, o economista chefe da Apollo Global Management, que tem nada menos que ~US$ 1 trilhão de ativos sob gestão.
Antes, é importante entender um pouco sobre como funciona a lógica de investimentos nos Estados Unidos…
Como é: o dinheiro que fica nas contas dos americanos rende uma média de 0,1% ao ano. Com isso, os bancos têm uma fonte bem barata de recursos para financiar empréstimos pelos quais cobram juros.
Por que não muda: basicamente porque é cômodo e porque a maioria da população não tem instrução, hábito ou tempo para ficar mexendo na carteira.
Como pode ficar: agentes têm tempo de sobra e, com sua autorização, eles poderiam encontrar contas que pagam de 3,3% a 5% e transferir o saldo automaticamente.
Ótimo para você. Mas o que acontece se milhões de agentes fizerem isso ao mesmo tempo?
O dinheiro pode sair rapidamente: os agentes identificam alternativas mais vantajosas e transferem os recursos dos clientes.
Os empréstimos ficam: quem pegou dinheiro emprestado continua pagando ao longo de meses ou anos. O banco não consegue antecipar esses recebimentos na mesma velocidade.
O banco precisa cobrir a diferença: pode ter de pagar mais para atrair depósitos, buscar dinheiro emprestado ou vender investimentos às pressas - eventualmente com prejuízo.
O lucro encolhe: segundo a McKinsey, se só 5% a 10% dos saldos migrarem para as melhores taxas, o lucro dos bancos com depósitos pode cair 20% ou mais. Globalmente, até US$ 170 bi (9%) dos lucros do setor podem sumir na próxima década.
Mesmo sem agentes, o "bank run" já tem precedentes: em março de 2023, clientes retiraram US$ 42 bi do Silicon Valley Bank em um único dia - e no seguinte o banco foi fechado por reguladores.
Mas enquanto o episódio do SVB foi motivado pelo medo dos correntistas, um episódio onde agentes são os protagonistas poderia ser motivada simplesmente pela busca automática de rendimento, sem precisar começar pelo medo de um banco quebrar.
PS: a corrida bancária ainda não começou, mas a das assinaturas já e o Muse está cancelando muitas assinaturas abandonadas em streamings, serviços, etc.
Você entregaria seus dados bancários para uma IA tomar decisões?

AI LIKE A PRO
Novidades de ferramentas, agentes, prompts e skills para você usar:
→ Ferramenta: o Midjourney agora mostra prévias em diferentes estilos antes de gerar a imagem - e também faz edições mais precisas.
→ Agente: Claude Code Guardrails coloca limites nos seus próprios agentes.
→ Skill: o Higgsfield Production Skills reúne 11 fluxos de agentes para Blender, Premiere, After Effects, Photoshop, DaVinci e outros…

DROP LIKE IT'S HOT
[para rir] da paródia do CEO da Anthropic, Dario Amodei, no SNL.
[para se assustar] por dentro dos cavaleiros do apocalipse da IA.
[para ler] o AMA da jornalista da Reuters que descobriu como Zuck queria trocar humanos por IA.
[para zoar] um vídeo de IA dando vida aos seus memes favoritos
[para investir] monte um portfólio de investimentos baseado nas suas crenças pessoais.

MEME DA SEMANA

Sam Altman e Dario Amodei
Um freia, o outro acelera, 2026
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Acervo Drops, coleção permanente

